domingo, 15 de novembro de 2009

Extraído de "Trem noturno para Lisboa"

O BÁLSAMO DA DESILUSÃO. A desilusão é considerada um mal. Trata-se de um preconceito irrefletido. Como, se não através da desilusão, iríamos conhecer o que esperamos e desejamos? E onde encontrar um momento de autoconhecimento, senão precisamente a partir desta descoberta? Como alguém poderia ter clareza acerca de si próprio sem a desilusão?
Não deveríamos sofrer as desilusões suspirando como algo sem o qual nossa vida seria melhor. Deveríamos procurá-las, persegui-las, colecioná-las. Por que me sinto desiludido como o fato de todos os atores idolatrados da minha juventude agora revelarem os traços da idade e da decadência? O que a desilusão ensina sobre quão pouco vale o sucesso?
Muitos precisam de uma vida inteira para admitir a decepção com seus pais. O que esperamos deles? Pessoas que passam a vida sob o jugo inclemente das dores muitas vezes se decepcionam com o comportamento dos outros, mesmo os que persistem junto deles e lhes ministram os medicamentos. É sempre pouco demais o que fazem e dizem e também pouco o que sentem. "O que esperam?", pergunto. Eles não sabem dizer e ficam perturbados com o fato de terem carregado durante vários anos uma expectativa que pode ser frustrada sem que a conheçam de perto.
Alguém que realmente quer conhecer a si próprio deveria ser um colecionador obcecado e fanático de desilusões, e a procura de experiências decepcionantes deveria ser, para ele, como um vício, na verdade como o vício dominante da sua vida, pois então ele compreenderia, com toda a clareza, que a desilusão não é um veneno quente e destruidor, e sim um bálsamo refrescante e tranquilizante que nos abre os olhos para os verdadeiros contornos sobre nós mesmos.
E não são apenas as desilusões em relação aos outros ou as circunstâncias que deveriam importar. Quando descobrimos e assumimos as desilusões como caminho que nos aproxima de nós mesmos, estaremos ávidos por experimentar em que medida estamos desiludidos com nós mesmos: desiludidos sobre a falta de coragem e de honestidade intelectual, por exemplo, ou com os limites terrivelmente estreitos impostos ao próprio sentir, sentir, agir e falar. O que foi que esperamos e desejamos então de e para nós próprios? Que fôssemos ilimitados, ou totalmente diferentes daquilo que somos?
Alguém poderia ter a esperança de, através da redução de expectativas, se tornar mais real e de se reduzir a um núcleo duro e confiável, estando imune contra a dor da desilusão. Mas como seria levar uma vida que se proíbe qualquer expectativa ousada e imodesta, uma vida em que somente houvesse expectativas banais, como a espera pelo próximo ônibus?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quem precisa de dinheiro?

As pessoas mentem, brigam, traem, se prostituem, enlouquecem, adoecem, estressam, matam e se matam por ele.
O dinheiro, maldito dinheiro.
Dizem que é só uma energia.
Que não deveria ficar parada, mas quem tem muito não cansa de acumulá-la.
Ter dinheiro faz toda a diferença no mundo capitalista.
Para o bem e para o mal.
Quem tem pouco vive em penúria.
Quem tem muito pode viver em sofreguidão.
Porque o dinheiro exige que se dê a ele o devido valor.
Que não é só o do seu poder de compra, mas principalmente o da sua significância.
Dinheiro dá poder, status, dependência.
Em vez de possuir o dinheiro, corremos o risco de ser possuído por ele.
Quantas vezes você não tomou decisões pelo medo de gastar, de deixar de ganhar, de perder, de ficar sem nenhum tostão?
Não é muito sofrimento para uma relação virtual com algo puramente ilusório?
Números num programa de computador?
Ok, não tenho a noção, por exemplo, de passar fome por falta de dinheiro.
Mas também não tenho noção de ter muito a ponto de poder esbanjá-lo, e nem por isso
acho que isso seja uma vantagem.
Para mim, a grande vantagem de ter muito dinheiro é poder aplicá-lo e com o rendimento, não depender mais de um salário.
Aí sim você se livra de uma vez dos seus dois patrões.
Do dinheiro e do seu empregador.
E, o melhor de tudo, passa a ser dono do seu tempo.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Desabafo

Não acho que meu blog deva ser um altar para expiar minhas frustrações, raivas e afins.
Prefiro reservá-lo a manifestações de criatividade, discussão de idéias, exposição de meu ponto de vista.
Mas hoje abro uma exceção para exprimir minha raiva, permitindo que meus dedos detonem o teclado ao seu bel prazer.
Estou triste porque tive que demolir meu projeto de reforma por não se enquadrar nas normas do meu condomínio.
E ainda tive um baita prejuízo material por conta da destruição.
Mas deixando de lado o prejuízo financeiro, me fere a alma ter que abrir mão das coisas que acalento.
Como foi o caso desse projeto de reforma, pensado e criado com o carinho que qualquer coisa que ponha no papel em branco merece.
Tudo que me cerca leva indelevelmente minha marca pessoal e me agride ter de abrir mão dessas coisas por incômodo da inveja alheia.
Sei que a vida pode nos reservar acasos muito piores do que entrar em prejuízo moral e financeiro.
E daí você precisa ter estômago para respirar fundo, fazer a necessária correção de rota e seguir adiante.
Mas, não sei se por perfeccionismo, talvez por uma peculiar teimosia que me acompanha desde criança, detesto ser contrariado.
Síndicos, burocratas, fiscais.
Fodam-se todos vocês.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

O peso que a balança não mede.


Uma das coisas que impedem alguém de ser feliz é ser uma pessoa pesada.
Não o pesado no sentido de quilinhos a mais, pois tem muito gordinho e gordinha por aí que passa com muita leveza pela vida.
Me refiro ao peso do astral, da energia, da aura que envolve o ser humano.
Uma pessoa pesada tem sempre uma nuvem cinzenta e carregada sobre a cabeça, e por consequência tende a nublar qualquer ambiente mais ensolarado que ela.
Não é difícil distinguir essa espécie de ave de mau agouro que mal chega ao lugar e já pesa nos ombros dos presentes.
Mas nem só de amargura se molda uma pessoa pesada.
Alguns parecem trazer essa característica do berço, pois nem todos passaram por percalços na vida que justifiquem a eterna expressão carrancuda.
E mesmo quem normalmente flana pela vida, também tem seus dias de toneladas a mais pelos ombros.
Normal, não há quem na vida não passe pelos altos sem penar pelos baixos.
E quando o nó se desata e o peso sai das costas, é um alívio tão grande que parecemos saídos de uma situação de convalescência.
Daí que não dá para entender quem não faz a opção pela diversão, pelo bom humor, pela espontaneidade pura e simples.
A gente tem mais é que rir de quem não ri de si mesmo.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Chocadeira


Ainda sobre o esporte amador no Brasil, pelo rápido crescimento da ginástica artística brasileira, é fácil constatar que onde há investimento sério os resultados inevitavelmente aparecem.
A combinação de ídolos com investimento constante em qualquer modalidade esportiva é suficiente para que surjam novos talentos e se crie enfim, uma escola.
É isso que falta para o esporte amador brasileiro explodir e enfim conquistar o status de potência olímpica.
Talento e vontade temos de sobra. Tire todas essas crianças de rua e dê uma quadra, uma raquete, uma vara para saltar. É capaz da gente até esquecer que esse já foi um infeliz país que precisou de heróis.
Porque em qualquer atividade, não só no esporte, só se alcançam resultados em quantidade e constância depois de estabelecida uma escola, com vários ídolos para copiar e seguir.
Isso vale para os esportes, as profissões, as artes.
Todo mundo teve um ídolo, um mestre, um padrinho, que lhe ensinou o caminho das pedras e incentivou a buscar a excelência.
Em qualquer atividade ninguém, mesmo os gênios, é filho de chocadeira.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

P.Q.P.!

Acabo de ver em reportagem do SporTV que me deixou indignado.
Numa competição de remo no Rio, uma dupla de remadores de 15, 16 anos de idade, depois de alcançarem a segunda colocação numa competição de duplas, foi desclassificada, puta que o pariu, porque os garotos estavam com uniformes diferentes.
Hello? Hello? Isso aqui é Brasil, dirigentes. Não é a Alemanha, não.
Gente chata.

O casamento do meu melhor amigo

Ao rever um trecho da comédia dor-de-cotovelo "O casamento do meu melhor amigo", percebi que um erro crasso foi cometido pelo roteirista/diretor/produtor.
O melhor amigo da Julia Roberts na trama não era o noivo, e sim o amigo gay que foi consolá-la ao final do filme.
Não estou fazendo defesa da classe, mas só mesmo um amigo gay para ter a sensibilidade de, ao perceber que a amiga ia dar com os burros n‘água em sua tentativa de reconquista, abandona seus compromissos e aparece de surpresa, já no final da festa, para consolar a arrasada mocinha.
Bom, se isso não for consideração, não sei o que é.
Deve ser por isso que as mulheres gostam tanto de seus amigos gays.