sábado, 9 de janeiro de 2010

Um pouco de Leila Diniz

"Tem-se que brigar com o passado, ou melhor, estudá-lo.
Arrancar de dentro da gente as raízes burguesas e mesquinhas, as tradições, o comodismo e a proteção.
É preciso se separar de todos esses problemas criados na infância, do bom, do direito e acho que é aí, nessas separação, nesse rompimento, que a gente tem medo da solidão.
Medo de não ser aceito.
Acho que é preciso de deseducar para se reestruturar, para se chegar aos instintos verdadeiros dentro da gente, para descobrir o certo da gente.
Quando se está livre de toda capa de proteção, de boa educação, de direitinho, das normas, dos preconceitos, de tudo que é ensinado pra gente, se pode ter uma visão de vida e de mundo, uma maneira de viver muito mais livre e divertida, muito mais aberta."

Versões

Eu me considero raso em cultura musical.
Transito um pouquinho melhor em literatura, cinema e até arte.
Música é o meu fraco dentro do repertório cultural, mas também é meu fraco no outro sentido.
Quem já não foi consolado, estimulado, sensibilizado ou tocado, por uma música ouvida no lugar, no momento
ou com a pessoa certa?
Mas a música, tal qual todas as outras manifestações da arte, também tem suas limitações.
Embora pareça infinito criar com sete notas, a canção também é um formato que se esgota.
Não fosse assim não teríamos casos de plágio, arranjos e melodias que soam familiares demais para serem originais.
É que tem me acontecido ultimamente, escutando rádio ou prestando atenção em som ambiente de loja, restaurante, elevador e afins.
De repente meus ouvidos captam uma melodia prazerosa e eu me pergunto de quem seria essa novíssima composição.
Até me dar conta de que é mais uma versão de algum clássico ou de um sucesso das paradas dos anos 70, 80, 90.
Tudo bem que as versões cumprem o papel de modernizar arranjos de gravações originais que até podem soar datadas para ouvidos mais exigentes.
Mas que parece oportunismo mercadológico de um momento de aridez criativa, parece.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

O por quê do sucesso de House

Sou fã, como muitos outros amigos confessos, da série de TV House.
Aquela do médico que abusa da falta de ética e resvala no mau-caratismo, mas que, com perdão do trocadilho, opera verdadeiros milagres num hospital.
Pois é, a série faz o maior sucesso e consagrou o ator principal, que saiu de papéis obscuros em filmes não menos, para o estrelato e, provavelmente, a fortuna.
Acredito que seja a mão de Deus.
Não Deus assim, com "D" maiúsculo.
Tô falando do papel que o Dr House encarna, tirando verdadeiras cartas da manga para solucionar magicamente casos aparentemente sem volta.
Se o homem comum esconde em seu íntimo o desejo utópico da imortalidade, ele encontra em House a realização dessa aspiração.
House, tão ou mais humano e errático quanto qualquer um de nós, brinca de Deus dentro de seu domínio, vingando a todos nós da crueldade de Dona Morte, fazendo gato e sapato dela.
Nem sempre, claro.
Mas só aquela sensaçãozinha de poder desviar o triho do nosso destino já garante o ibope.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um plano B para chamar de meu

Você percebe que está ficando velho quando começa a pensar num plano B de carreira.
No meu caso, de carreira mesmo, já que não realizei o sonho da poupança própria, para viver de renda para sempre.
Enfim, também não quero passar o resto da minha vida sem produzir mais nada, de modos que venho pensando em uma alternativa.
Incrível como ainda não inventaram um teste vocacional de plano B , tamanha a quantidade de indecisos que pretendem abraçar uma segunda ou terceira carreira. São as mesmas pessoas que já fizeram esse teste lá pelos 18 anos de idade, menos as que enriqueceram no intervalo. Ou seja, quase todos.
Aliás se esse teste existisse, poderíamos apontar alguns prováveis resultados, de acordo com o perfil do candidato.
Para os pouco originais, a carreira clichê: dono de pousada.
Para os que adoravam uma happy hour depois do expediente, barman.
Para os ex-workaholics, professor de ioga.
Para maus dentistas, açougueiro.
E por aí vai. Ou iria.
Eu já pensei na pousada, numa carreira no cinema, em design de objetos e em qualquer ocupação no ramo do turismo.
Confesso que já me deu uma preguicinha de pensar nessa segunda carreira.
Pô, por que em ao invés de compra tanta porcaria eu não fiz meu pé de meia?

domingo, 3 de janeiro de 2010

Quero ser pequeno

Neste Natal errei no presente do meu sobrinho João Pedro.
Tô careca de saber que ele adora caminhão, mas sabendo que ele já tem uns 40, quis variar e comprei um daqueles carros de controle remoto cheios de manobras firulentas - na verdade, é como se tivesse comprado para mim.
De nada adiantou aquele aviso de "acima de 8 anos" na lateral da embalagem -O João Pedrinho tem apenas 3 anos. Meu sobrinho nem abriu a caixa, ao contrário do que acontece quando debaixo do papel de embrulho ele encontra um caminhãozinho mequetrefe.
Daí que eu me peguei pensando porque a gente quer que os guris cresçam tão rápido. A gente acha uma gracinha criança falando que nem adulto e eu vira e mexe falo com meu sobrinho de igual para igual como se ele fosse obrigado a entender a mensagem.
Justo eu que sempre reivindiquei poder ser uma criança eterna.
Vejam bem, não me entendam errado. Não estou falando do crianção imaturo que não assume suas responsabilidades - embora as vezes até esse possa ser perdoado.
Tô falando dessa coisa de preservar o espírito brincalhão mesmo, a malfadada criança interior.
Lembra daquele filme "Quero ser grande"?
O rapazinho foi atendido em seu desejo de se tornar adulto para perceber que o mundo dos adultos pode ser tão ou mais infantil do que o universo das crianças. Aliás, o mundo corporativo chega a ser infantilóide em suas disputas de poder e ego - eca!
Resultado: preferiu voltar a infância, onde poderia ser criança de fato e direito, naquela inocência que a vida nos induz a perder.
Taí: prefiro resgatar essa criança do que viver essa criancice que muito adulto por aí acha que é sério.

Feliz ano de novo

Desta vez esqueci de fazer os tradicionais pedidos, não comi lentilhas, não guardei sementes de romã na carteira nem me lembro da cor da cueca que usei - só sei que não era nova, o que invalida a superstição.
Também não pulei 7 ondinhas, com preguiça de atravessar o riozinho que separava a casa da areia da praia - ia me molhar até a cintura, não só até as canelas como é admissível para um fresquinho como eu.
Juro que não é cinismo nem falta de fé na vida, na renovação do ritual do ano novo.
É que na hora não bateu aquele espírito de reveillon, aquela micaretagem básica que faz a gente sair pulando abraçando todo mundo e requebrando ao som de marchinha de carnaval antecipado.
Mas tudo bem, o fato da passagem não ter dado liga em mim não quer dizer desânimo, cinismo ou qualquer sentimento que desqualifique minha fé num ano bom.
É que esse papo de esperança encheu um pouco.
Quem espera sempre alcança? Puta mentira.
Vá alcançar mais e esperar menos.
Feliz ano novo pra todo mundo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Travei

Escrever neste blog deveria ser um exercício descompromissado e criativo, sem quaisquer auto-cobranças, inclusive de qualidade de escrita.
Mas ultimamente tenho penado para encontrar temas e produzir da maneira prolífica com que costumava fazer.
Se antes qualquer bobagem, qualquer inspiração filosófica virava meia dúzia de parágrafos de post, foi inevitável entrar numas de me cobrar mais relevância na escolha de temas e sinceridade de opinião.
Este texto parece mais um debate interno para me posicionar diante do dilema da vontade de escrever contra a auto-censura de não escrever qualquer coisa.
É que estou mudando, me cobrando uma vida com mais atitude libertária, mas as mudanças ainda estão bem aquém do que preciso para voltar a escrever, e desta vez com mais peso e sinceridade.
Paciência.